Publicações

A Técnica da Meditação

Já afirmamos muitas vezes que a meditação não deve ser confundida com a concentração e a contemplação. Sucintamente, podemos dizer que a concentração é essencialmente objetiva. É a focalização da atenção em estímulos sensoriais. Quando estamos escutando ou lendo atentamente, estamos focalizando nossa consciência em certo conjunto de vibrações que nos chegam através dum órgão sensorial específico, como os olhos ou os ouvidos. A contemplação, por outro lado, é subjetiva. Em estado de contemplação, focalizamos nossa consciência no raciocínio, recordação, imaginação; em outras palavras: em idéias que já estão na consciência ou que estão sendo reagrupadas em novas disposições. Tanto na concentração quanto na contemplação a vontade faz-se necessária. Esses não são estados passivos.

A verdadeira meditação com freqüência é erroneamente trocada por esses outros processos mentais, quando na verdade é ela coisa bem diferente. O objetivo da meditação não é focalizar-se a atenção em alguma coisa específica. Na meditação esforçamo-nos por alterar nosso nível de consciência. Buscamos nos servir de outro estado de consciência, mas não antevemos que estado se manifestará. Na meditação não mantemos em mente algum pensamento restrito, definido, como na contemplação.

A consciência no homem pode ser comparada a um teclado de piano, que consiste numa série de oitavas, ou níveis, que se fundem consecutivamente. No nível mais baixo encontra-se aquela forma de consciência de que mais nos servimos, a consciência objetiva. Logo acima, encontra-se a consciência subjetiva e seus vários processos – raciocínio, memória, etc. – que já mencionamos. Acima desses dois níveis existem muitos outros. A Psicologia atribuiu ao fluxo total de consciência acima desses níveis muitos nomes, como pré-consciente, inconsciente e subconsciente. A verdadeira meditação visa alcançar um ou mais desses níveis de consciência.



Podemos recorrer a outra analogia para melhor compreendermos isso, a analogia da escada. De modo geral, alternamos nossa consciência, do primeiro degrau, o objetivo, ao segundo degrau, o subjetivo, nessa escada da consciência. Com efeito, aprendemos que acima desses dois degraus existem muitos outros dos quais talvez não tenhamos tido ainda experiência. A meditação é o desejo de alcançar e vivenciar esses estados subliminares da mente. As imagens, as sensações que possamos ter em estado de meditação são em muitos aspectos bem diferentes das que temos objetiva e subjetivamente. Aliás, a chamada intuição, ou insight, é um lampejo de compreensão proveniente de um desses outros níveis de consciência. Conseqüentemente, a finalidade da meditação é produzir uma transição na consciência de modo que através dessa alteração possamos alcançar os níveis mentais mais sublimes.

Processo Subjetivo

De que modo podemos alcançar essa transição de consciência, ou meditação? Não existe uma fórmula precisa, exata, que pudesse valer para todas as pessoas. Inúmeros métodos são defendidos pelos sistemas místicos e metafísicos e as várias religiões orientais. Talvez todos esses métodos sejam a algum grau eficazes para induzir a meditação. Contudo, algumas dessas práticas não constituem verdadeira meditação. São na realidade uma forma de hipnotismo auto induzido. Uma das formas de libertar-se da consciência objetiva para alcançar o estado de meditação é a concentração na ponta do nariz ou no umbigo. Essa prática é muito comum em certas seitas da Índia. Não obstante, psicologicamente, falando, é bem possível que ao recorrer a esse método o indivíduo esteja apenas produzindo um estado de auto-hipnose ou transe, ao invés de meditação.

Muitas vezes as impressões que vêm à tona nesses estados de transe são as que foram gravadas profundamente na memória do indivíduo sem que delas jamais tivesse consciência. Em outras palavras, muitas impressões provindas da mente objetiva são transmitidas à mente subconsciente (e à sua memória) sem que tenhamos consciência de que isso ocorreu. Por conseguinte, quando recordamos essas impressões, parecem-nos estranhas e originais, o que não são.

Por outro lado, a meditação pode começar por uma forma de contemplação, isto é, começando-se pelo recurso a um processo subjetivo. Podemos manter em mente por certo tempo um pensamento, uma experiência ou visualizar algo especialmente inspirador. Isso deverá ser algo que desperte nossos sentimentos e emoções mais sublimes. Ao vivermos as sensações dessa visualização, devemos deixar que sejam gradualmente eliminadas de nossa mente. Nosso objetivo é tentar estabelecer uma afinidade entre esse pensamento e um estado mais elevado de consciência. Por esse método estamos buscando atrair os níveis mais profundos de consciência, ou o Eu psíquico. Às vezes o ouvirmos uma composição musical suave e tranqüilizadora auxilia a induzir o estado de meditação.

Devemos perder a consciência do nosso ambiente? Sim, devemos. Se temos bastante consciência das coisas do nosso ambiente, estamos ainda em estado objetivo, não meditativo. Devemos alcançar uma consciência interior, não exterior, e essa consciência ocorre na verdadeira meditação. Entretanto, isso não quer dizer que não poderemos voltar facilmente à consciência objetiva. Por analogia, muitas vezes encontramo-nos no estado de concentração profunda, o que quer dizer que estivemos tão envolvidos em algum pensamento que na ocasião não tínhamos qualquer consciência da exterioridade. Isso era concentração profunda, isto é, concentração em alguma idéia específica, que é semelhante à meditação apenas no sentido de que não temos consciência do nosso ambiente. Mas a diferença é que na meditação, repetimos, não há a contínua focalização da consciência numa única impressão.

Obviamente o relaxamento é necessário ao sucesso da meditação. Não poderá haver sucesso em meditação estando-se sob alguma forma de tensão. Quanto a posturas, existem inúmeras que os sistemas orientais costumam recomendar. Porém, qualquer posição que nos permita relaxar fisicamente e alcançar um sentimento de euforia é bastante adequada. Os braços e as pernas devem estar separados. A roupa não deve ser apertada para que não tenhamos consciência das mesmas e para que não impeçam a circulação sangüínea.

Existe uma teoria que diz que os pés sempre devem estar colocados diretamente no solo para descarregar certas energias nervosas e vibrações do corpo, que impediriam a consecução do estado meditativo. Porém, isso não ficou corroborado como verdadeiro e essencial à meditação.

A respiração profunda antes da meditação é útil. Mas não existe nada de misterioso nisso. Se estiver dentro de casa, a pessoa deve colocar-se diante duma janela aberta e tomar umas doze ou quinze inspirações profundas. Cada inspiração deverá ser retida nos pulmões por um tempo confortável, e depois ser exalada lentamente. Isso limpa as câmaras inferiores dos pulmões, vitaliza o sangue e estimula os centros psíquicos. Torna a mente mais lúcida e alivia a tensão muscular. Os estudantes Rosacruzes recebem instruções quanto a certos sons vocálicos, que devem ser entoados junto com essas respirações. A entoação e a respiração propiciam melhor preparação para a meditação.

Como dissemos, a meditação não é um estado ou condição forçados. Conseqüentemente, nenhum período prolongado, exaustivo de meditação seria bem sucedido. Quando o indivíduo sentir-se relaxado e num estado adequado de bem-estar, deve manter o pensamento desejado em mente, como afirmamos. Deve então permanecer passivo, esperando que a consciência seja transportada por qualquer impressão que ocorrerá se ele foi bem-sucedido em todo o processo. Naturalmente, o indivíduo não deve antecipar a impressão que ocorrerá – ele não usa a vontade na meditação, não dirige experiências de qualquer espécie em particular. Tão logo comece a sentir-se fatigado, esse então é o sinal de interromper a meditação. Repetimos, tentar forçar o estado meditativo anula o seu objetivo.

Quando a pessoa é bem-sucedida na meditação – não num estado de transe – todo o período de preparação e o seu resultado não dura mais que alguns minutos. A experiência assemelha-se a um lampejo intuitivo, um lampejo de iluminação da consciência. Por outro lado, um estado de transe ou de hipnose poderia durar muito tempo e ser perigoso. Uma vez mais, porém, esses estados não são estados de meditação.
Por Ralph M. Lewis, F.R.C.
Artigo extraído da revista “O Rosacruz” de março/abril de 1985.


Missão

"A Ordem Rosacruz, AMORC é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz."
Seu objetivo é promover a evolução da humanidade através do desenvolvimento das potencialidades de cada indivíduo e propiciar uma vida mais harmoniosa para alcançar saúde, felicidade e paz.

Conceitos

""Os conceitos emitidos neste site são de responsabilidade integral dos autores e não representam, necessariamente,o ponto de vista oficial da Ordem Rosacruz – AMORC, a não ser que assim seja afirmado."